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Clara Fagundes

Romantização da pobreza
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Romantização da pobreza

Você já parou para refletir sobre como a pobreza é romantizada?

Tentar sobreviver ao desemprego vira “empreendedorismo”, usar fogão à lenha porque não tem dinheiro pro gás é “resgate à tradição” e precisar catar livros no lixo para estudar é “um exemplo a ser seguido”. 

A romantização da pobreza está na mídia, na cultura, nos conselhos que vilanizam ter dinheiro, na mentira da meritocracia e no personagem mítico do *pobre que é feliz em ser pobre* (ele, sim, precisa de pouco pra viver!). 

Continue lendo esse post e saiba mais sobre o assunto.

A romantização da pobreza

É romântico pensar na pobreza como uma forma nostálgica de simplicidade. E no dinheiro como algo que destrói famílias, complica a vida e afasta relações verdadeiras.

“O pobre não precisa de muito para ser feliz, já o rico, sim. Dinheiro não traz felicidade! Dinheiro pra quê? Melhor mesmo é ser rico em saúde e amor…”

A narrativa do pobre feliz em ser pobre tem sido vendida há séculos. Neste post, trago exemplos e reflexões sobre como isso acontece ainda hoje.

Mas já adianto: a romantização da pobreza é uma estratégia de alienação política e tem como principal objetivo a manutenção da desigualdade.

Romantização da pobreza… na cultura

A pobreza romantizada é perpetuada na cultura há séculos, trago só alguns exemplos:

“Dinheiro não compra felicidade”, “de que adianta ser rico e triste?”, “dinheiro complica tudo”, “dinheiro só traz problema”: quantas frases como essas você já ouviu? Muitas desincentivam a ambição, inventam razões para exaltar a pobreza e vitimizam os ricos.

Infinitos filmes, séries, novelas sobre personagens solitários e tristes por serem ricos. Uns sonham com uma vida simples. Outros, abrem mão de tudo para finalmente serem felizes. Ainda há os que abdicam da riqueza dos pais só para ficarem ricos “sozinhos”, em belos contos meritocráticos.

A ideia de que o pobre precisa de pouco para ser feliz, como se a falta de acesso fosse, na verdade, uma bênção.

romantização da pobreza… na mídia

A mídia romantiza a pobreza todos os dias:

Notícias que transformam o sofrimento de pessoas em heroísmo e provas da meritocracia: a menina que andava 20km até a escola. O rapaz que passou no ENEM catando livros no lixo. A família que “resgatou as raízes” usando fogão a lenha. A mãe desempregada que virou empreendedora vendendo pipoca. “Se eles conseguiram, só não consegue quem não quiser” é a mensagem subentendida.

Miséria como experiência. 
A mentalidade é explorada na moda, com editoriais que mostram moradores de rua. No turismo, com hotéis simulando barracas e favelas para ricos viverem dias de pobreza chique.

Falando em “pobreza chique”, o termo virou “estética” instagramável e “poverty chic” tem mais de 7 milhões de menções no Google.

dinheiro compra felicidade?

E com tudo isso quero dizer que dinheiro compra felicidade? Não. Quero dizer que, em uma sociedade capitalista, dinheiro compra acessos a:

Educação
Saúde
Cultura/Lazer
Justiça
Boa alimentação
Tempo/Ócio/Criatividade

O ideal seria que todos tivessem acesso a essas coisas. Mas, enquanto isso não acontece, precisamos cortar pela raiz discursos que romantizam sofrimento e culpabilizam pessoas por serem vítimas de um sistema injusto

A “pobreza feliz, simples, satisfeita” e a meritocracia são mentiras que favorecem poucos.

para refletir e repassar

Romantização da pobreza

1. Dinheiro não compra felicidade, mas compra acessos. Educação, comida, saúde, cultura, tempo e justiça se tornam bem mais possíveis com dinheiro.

2. A pobreza não é mais simples. Ela tira o sono, a saúde e o lazer.

3. Meritocracia é uma mentira que só continua sendo contada porque favorece aqueles que estão no poder. É mais fácil justificar desigualdade com merecimento do que com exploração.

4. Representatividade importa. É mais fácil desejar e exigir mais quando há exemplos a seguir.

5. O pobre não precisa de menos para ser feliz. É importante não confundir falta de oportunidade com falta de vontade.

Você já tinha pensado sobre isso? Tem visto exemplos de romantização da pobreza? Me conte nos comentários.

Faça a sua parte, compartilhe o post. Convide pessoas a repensarem!

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Precisamos falar sobre neutralidade do corpo. Ainda.
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Precisamos falar sobre neutralidade do corpo. Ainda.

Você já ouviu falar em neutralidade corporal?

O tema é debatido por aqui há anos, mas finalmente tem ganhado algum espaço na mídia.
E, assim, essa se tornou a análise pop mais pedida das últimas semanas.

Onde está o valor da mulher?

Manu Gavassi foi capa de uma das maiores revistas femininas no Brasil.

A manchete destacou grandes marcos atuais da artista.

Dar vida a Milena, uma das personagens principais da série “Maldivas”, o maior investimento da Netflix no Brasil até hoje?

A sua turnê musical de sucesso, com todos os shows já esgotados?

Seu trabalho inovador em diversos formatos, do álbum visual Gracinha às publicidades no instagram?

Não. Pasme…

Explante de silicone, transição capilar e novo timbre: essa moça “tá” diferente!

Você consegue imaginar uma chamada semelhante sendo utilizada para uma entrevista sobre a carreira de um artista homem?

Eu, não. Porque homens não são reduzidos aos seus corpos.

Os corpos femininos são públicos.

Disponíveis para serem julgados, monitorados e expostos diariamente. Esse viés é tão normalizado que até mesmo quando o foco é o sucesso feminino (uma raridade), o corpo ainda é o protagonista.

E por que isso é um problema?

Porque somos muito mais do que corpos. Somos complexas – sonhos, ideias, questões, opiniões, personalidade.

Mas nada disso terá verdadeiro espaço enquanto o valor feminino for definido pela aparência.

Antes de tudo, a aparência.

Não seremos vistas como complexas – na mídia, na literatura, no mercado de trabalho – enquanto não alcançarmos a neutralidade corporal.

Só ela fará tudo o que entregamos ao mundo ser mais importante do que o nosso peso, cabelo, pele, corpo. Ela permitirá que a história, o trabalho e a voz de mulheres reverberem como os bens valiosos que são.

O que aconteceu com Manu não é um exemplo isolado. E isso não fica claro apenas pelos mais de 4 mil comentários no post (muitos de outras mulheres que passaram pelo mesmo)…

O que não faltam são notícias de mulheres que “engordaram”, “emagreceram”, “envelheceram” ou “exageraram nos procedimentos estéticos”.

Em quantos exemplos você consegue pensar, sem nem recorrer ao Google?

Adele, Xuxa, Rihanna, Beyoncé, Billie Eilish, Britney, Anitta, Tyra Banks, Luísa Sonza, Mariah…

A lista de mulheres que foram reduzidas à aparência nas notícias e na mídia, inclusive em momentos de extremo sucesso, é infinita.

“É uma empresária de sucesso, mas – credo! – engordou tanto… Vai ficar sozinha…”

“Agora, sim! Emagreceu, tá linda! Antes, era só… uma cantora premiada dezenas de vezes.”

“Ela tem um programa próprio, mas… você viu como ela envelheceu? Coitada…”

A neutralidade do corpo está tão longe da realidade das mulheres que até parece impossível. Mas não é.

Se fosse, os homens sofreriam com os mesmos julgamentos e reducionismos…
E, pense bem, essa simetria já aconteceu algum dia?

Homens já a vivem, até um limite. Para eles, o corpo já é *só uma parte* do que são – como deveria ser sempre.



Você também acredita na neutralidade do corpo? Que outras manchetes e notícias bizarras você lembra?

Compartilhe esse post e convide pessoas a repensarem.

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5 “é só…” para não dizer mais

Qual dessas frases e conselhos simplistas começados com “é só…” é o pior?

“É só… querer”

Infelizmente, não vivemos num filme de Xuxa. “É só querer” é uma frase injusta, que individualiza e responsabiliza pessoas em situações que não dependem só delas.

E os privilégios, não contam? Várias pessoas podem querer bastante as mesmas coisas, mas só uma minoria tem acesso a atalhos bem relevantes –  inacessíveis para a maioria.

“É só… se cuidar”

Pra não ser traída, “é só se cuidar” mais. Assim, o outro nunca perde o interesse. Pra não ser assaltada/estuprada/furtada/ assediada/enganada, “é só se cuidar” para não se colocar nessas situações.

Não tem como defender o “é só se cuidar”. Te desafio a achar um contexto em que esse “conselho” soe útil mesmo – e não uma maldadinha com alguém que está inseguro ou acabou de passar por uma situação ruim.


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Mulheres inspiradoras que fizeram e fazem a diferença

O conteúdo de hoje da série “Mulheres & Dinheiro” é uma exaltação a mulheres brasileiras transformadoras e inspiradoras.

Sônia Guajajara

Uma das maiores ativistas indígenas do país. Luta pelo meio ambiente e pelos povos originários. Tem voz no Conselho de Direitos Humanos da ONU e há 10 anos leva denúncias às Conferências Mundiais do Clima (COP).

Foi a primeira indígena a compor uma chapa presidencial e tem um histórico cheio de prêmios pelas suas ações.

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“A ancestralidade sempre ensinou que o sentido da vida é o coletivo.”

Aracy Guimarães Rosa

Conhecida como “Anjo de Hamburgo”, chefiou a Seção de Passaportes do consulado brasileiro na Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial e burlou as regras do governo emitindo vistos para judeus se abrigarem no Brasil.

Inspire-se
Ao ser questionada sobre seus motivos, respondeu: “porque era justo.”


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O corpo feminino é público.

#Explicando a ideia de que o corpo feminino é público.

Uma menina foi estuprada e o seu direito a abortar só foi garantido após pressão popular.

Uma atriz foi estuprada, optou por entregar o bebê à adoção, de forma totalmente legal, e teve a sua intimidade invadida e julgada.

O direito ao aborto seguro foi revogado nos EUA, quase 50 anos depois da sua legalização.

Uma mulher que não quer ser mãe teve a laque-adura negada, porque, para o médico, ela “pode mudar de ideia quando encontrar o cara certo”.

Há planos de saúde solicitando a autorização do marido para mulheres que querem colocar o DIU (um método contraceptivo de longa duração).


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