Sentir

Ninguém pode te ensinar o que é ser feliz

“Ser feliz” e as infinitas possibilidades

Ninguém pode te ensinar a ser feliz. E vou dizer o por quê logo de cara: porque existem infinitos tipos de felicidade.

Outro dia, conversando com uma amiga que é um prodígio do meio corporativo, passei algumas horas debatendo sobre sonhos, planos, desejos e, como era de se esperar, o futuro. Ela, 100% executiva, não conseguia entender de maneira alguma como eu poderia afirmar com tanta certeza que esse mundo – o mundo dela – não é para mim.

“Eu quero trabalhar de casa”, eu dizia. “É isso que o meio corporativo procura”, ela rebatia.

“Eu não quero integrar uma hierarquia”, eu retrucava. “Fazer parte disso é necessário para se tornar uma líder”, ela explicava.

E assim seguimos, por algumas longas horas. E eu, numa mistura de frustração e entusiasmo, queria mostrar a ela que a minha noção de felicidade era outra, que o que eu quero é mesmo outra coisa, sempre foi. Eu, em 21 anos, já quis ser muitas coisas diferentes –  astronauta, dona de shopping, jornalista -, mas uma coisa se manteve igual: sempre quis viver de escrever. Mais do que isso, sempre quis ser minha própria chefe. Isso pode dizer muito de quem eu sou. E, claro, como tudo na vida, pode ser visto de diferentes ângulos: posso ser individualista ou posso ser independente, posso ser antissocial ou autossuficiente, posso ser prepotente ou audaciosa. Ali, em meio àquela conversa em que ela, que só quer o meu bem, pregava o seu estilo de vida como se pudesse me satisfazer, eu entendi: o meio corporativo faz a minha amiga feliz, mas isso não significa que me faria – e tudo bem.

A cada um cabe a sua própria felicidade. Tenho uma amiga inteligentíssima, feminista de carteirinha, cujo sonho de vida é se casar, ter dois filhos e viver com o suficiente para comer bem e viajar uma vez por ano. Outra, maravilhosa, nem chegou aos 25, já fundou um punhado de empresas, mas se deu mal todas as vezes em que tentou trabalhar em uma equipe que ela mesma não liderasse. Há também aquela que desde pequena sonhava em ser médica e no meio do caminho desistiu pra fazer Administração – e é a pessoa mais feliz com a própria carreira que eu conheço.

Eu, assim como a minha amiga executiva, já passei muito tempo tentando convencer os outros de que a noção deles de felicidade não era boa, certa ou suficiente. “Amiga, você merece mais”. “Amiga, por que você não se arrisca?” “Amiga, homem você arranja outro, uma oportunidade dessa é única”. Não conseguia enfiar na minha cabeça como a minha amiga que sempre quisera morar fora poderia abrir mão de uma chance enorme por causa de um namoradinho. Ou como aquela conhecida genial tinha desistido da vaga de Medicina na USP para cursar uma particular no interior “só” pra não ficar longe de casa. Sem perceber, eu fazia um milhão e meio de pré-julgamentos e me cercava de inúmeras certezas baseadas na minha experiência empírica de que essas decisões só poderiam ser resultado de conformismo, medo ou falta de ambição. Ô, que tolinha! – hoje eu penso. Que tolinha de achar que eu, dona do mundo, rainha da razão, sabia o que era ser feliz e pronto. E que esse “ser feliz” era assim, igual para todos.

Agora, vejam só: não me passou pela cabeça que, se todos quisessem ser líderes, nem haveria o que se liderar. Que se todos quisessem ter um negócio próprio, não haveria quem executar as funções necessárias. Que se todos quisessem ser pioneiros, não haveria mais graça alguma porque ninguém iria acompanhar esse pioneirismo. E, como Derek Sivers explica nesse TED incrível: quem revoluciona não é quem começa, quem cria, são os primeiros a aderir à nova tendência. São esses seguidores que transformam o que era loucura ou papel de ridículo em genialidade, em um movimento.

Ou seja, deixo aqui meu aprendizado: a felicidade tem várias formas, faces e possibilidades. E nenhuma é menos válida do que a outra, mais ou menos conformista, certa ou ideal. E, pra provar que aprendi mesmo, nem espero que concordem comigo. Até porque aprender isso me fez ver também que cada um tem seu tempo… E o seu ponto de vista.

E aí, o que é “ser feliz” pra vocês? Cês já sentiram como se outra pessoa estivesse querendo ensinar vocês a serem felizes? Como vocês lidaram com isso?

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Foto: Fromage.

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8 Comentários

  • Responder Patthy 20 de outubro de 2015 at 10:32 AM

    Eu também já fui de julgar as escolhas alheias porque acreditava que as minhas eram melhores, mais práticas e que iam me livrar de uma série de preocupações. Mas de nada adiantava isso se eu continuava me preocupando com a vida dos outros!
    Se às vezes nem nós mesmos sabemos onde está nossa felicidade, quem dirá alguém de fora, não é mesmo?

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  • Responder Taís 22 de outubro de 2015 at 6:16 PM

    Gostei muito do teu texto, também passei por todo esse aprendizado, de aprender que felicidade é uma coisa bem diferente pra cada pessoas. Somos pessoas diferente umas das outras e é claro que a nossa felicidade também seria diferente, é bom quando a gente começa a ver isso de uma forma mais ampla e entende.
    🙂

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  • Responder Bárbara Almeida 26 de outubro de 2015 at 11:01 PM

    Caraca o seu texto é EXATAMENTE o que acontece. E as vezes a gente não faz por mal, a gente julga porque cada um acredita que algo é o melhor. Mas cada um é cada um. É o que eu falo para o meu namorado, eu não estaria trabalhando na empresa onde ele está NEM FERRANDO, mas eu sempre digo que vou apoiar ele no que ele decidir, porque eu quero que ele escolha o que mais vai fazer ele feliz.
    É complicado. E nós mesmo mudamos, antes eu era igual a sua amiga, e agora estou saindo de uma multinacional porque vi que essa vida não é pra mim. Quero meu negócio próprio e trabalhar de casa igual você <3

    Beijoos, Love is Colorful

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    • Responder Clara Fagundes 30 de outubro de 2015 at 1:52 PM

      Babi, é exatamente isso! Pensar que não faria e, ao mesmo tempo, aceitar a escolha do outro de coração aberto.
      Não trabalho (só) de casa, faço freela, escrevo pro blog, mas também trabalho em agência. A diferença é que o ambiente de agência é extremamente mais leve do que o do mercado financeiro, ou de empresa, etc. Eu vou me formar neste ano e estávamos falando sobre o (meu) futuro, sabe?

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  • Responder Lolla 11 de novembro de 2015 at 7:20 PM

    Eu passei pela situação, as pessoas queriam decidir qual era a minha felicidade. Uma vez eu estava em um curso tecnologo com emprego na area e quis largar tudo, porque eu não queria aquilo, não me trazia nenhuma lembrança boa ou algo parecido.
    Aí decidi largar tudo e ir embora, e fiz feliz da vida. E foi só aí que viram que ao invés de me julgar tinham que me apoiar!
    Amei o que você escreveu!

    Beijos,
    rodoviadezenove.com.br

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  • Responder Sinceridade não é grosseria + Guia prático - Blog DeClara 17 de março de 2016 at 1:30 AM

    […] do que isso: vivemos em sociedade e precisamos entender que a nossa opinião não é uma verdade absoluta. Isso quer dizer que o que achamos feio, outros acharão lindíssimo e o que achamos gentil, outros […]

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  • Responder Você não é o seu trabalho - Blog DeClara 29 de maio de 2016 at 6:21 PM

    […] com a sua profissão ou sua faculdade. Mas, ao mesmo tempo, tão natural. Quanto maior o cargo, mais competente você é. Quanto mais cedo entrar no mercado de trabalho, mais esforçado. Quanto mais benefícios, melhor. […]

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