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Resenha de “Esteros”: um filme LGBT para amar

Antes de começar essa resenha, preciso dizer que sou uma entusiasta declarada do cinema argentino. Com obras-primas como “El Secreto de Sus Ojos”, “Medianeras”, “Infância Clandestina” e “Valentín”, a Argentina entraria facilmente no meu TOP 5 de melhores países produtores de filme. Ainda assim, garanto que conhecer – e amar – o cinema do país não é um pré-requisito necessário para amar o delicado “Esteros”, estrela do post de hoje.

A história tem um ar bucólico, como os verdes estuários que cercam a chácara de Jeronimo em Paso de Los Libres, cenário principal do longa. Bucólico e nostálgico. “Esteros” começa no momento em que os Matías e Jeronimo se encontram após muitos anos. Os dois, melhores amigos da infância à adolescência, não se viam desde que o pai de Matías decidira se mudar com a família para o Brasil. A cena do reencontro é desconfortante. É possível sentir, de imediato, o nervosismo, o peso do silêncio e dos anos que passaram. Mais do que isso: dá para sentir que os dois se amam.

Em seu longa de estreia, o cineasta portenho Papu Curotto acerta ao não ter pressa. O desenrolar é lento e o roteiro, simples, até porque o sentimento fala por si só. Assistimos Matías e Jero, interpretados por Ignacio Rogers e Estéban Masturini (um dos homens mais bonitos que já vi), relembrarem o passado e se reconectarem no presente. Embalado por uma trilha sonora gostosa e uma fotografia de encher os olhos, o filme deixa um gostinho de abraço. Sabe? Daqueles abraços que damos em alguém que não vemos há muito tempo e de quem sentimos falta.

“Esteros” fala sobre o amor, a descoberta da própria sexualidade e a coragem de correr atrás do que nos faz felizes. Um drama suave que deixa um quentinho no coração e o sentimento de que dias melhores virão. De que as pessoas podem mudar, sim, e que a elas só falta um tanto de coragem. De que o amor, esse sentimento tão bruto e tão belo, floresce em meio à lama e ao asfalto como a flor feia do poema de Drummond.

Não vá ao cinema esperando diálogos de tirar o fôlego. Prepare-se, por outro lado, para silêncios encantadores e olhares carregados de palavras. Vá de coração aberto e sem medo de dar de cara com um filme hipster demais. Longe disso! Não há nada de cult, complicado ou excessivo em “Esteros”. Acima de qualquer outra coisa, ele narra uma história de amor. Entre flashbacks, escolhas e um pouco de sorte, o longa tem um quê de conto de fadas. E o filme surpreende exatamente por isso – ter a dose certa de tudo. Suspense, nostalgia, tesão, amor e esperança num filme LGBT que não cai nos clichês trágicos do gênero.

Saia da sala de cinema, mande uma mensagem gentil para alguém querido que não vê há um tempo e tome um sorvete enquanto passeia com um sorrisinho de canto de boca. Aí, sim, a experiência estará completa.

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