e seu namorado deixa? machismo do dia a dia
Inspirar, Sentir

“E seu namorado deixa?”, a Revolução Francesa e relacionamentos normais

“E seu namorado deixa?”

1. “Seu namorado vai com você?”

2. “Mas… e seu namorado?”

3. “Seu namorado não tem ciúmes?”

4. “E seu namorado deixa?”

5. “Você vai SOZINHA?!”

O quinteto das perguntas que acompanham as mulheres livres que namoram. Quem aí também já ouviu alguma delas?

Como uma mulher que é emocionalmente independente, mora sozinha e namora há 2 anos, eu já. Não quero com isso dizer que foram sempre perguntas maldosas ou de indignação, porque não foram. Na real, na maioria das vezes, soaram mais como admiração ou surpresa sincera. E eu confesso: no começo, quem ficava surpresa era eu, por ver como a ideia que as pessoas têm do que são relacionamentos “normais” em 2016 muito se parece com as dos séculos passados. Mais: surpresa em perceber que ela reflete muito mais o retrato de um relacionamento abusivo do que de um relacionamento amoroso de fato. Dois anos depois, feliz ou infelizmente, não me impressiono mais, o que não se aplica às pessoas que acabaram de me conhecer e descobrem que eu saio sozinha, viajo sozinha, tenho amigos homens e ando por aí com roupas curtas.

Ainda assim, foi só conversando com uma amiga super mente aberta, mas que ficou impressionada que eu iria passar 3 semanas em Sergipe enquanto meu namorado trabalhava em São Paulo, que tive uma epifania. Se ela, jovem e descoladíssima, ainda assim se surpreendia com uma escolha tão natural (eu estaria de férias, ele, não; minha família e meus amigos de infância moram em Sergipe, a família e todos os amigos dele são de São Paulo, etc), esse modelo de relacionamento que é quase uma prisão ia bem além de uma barreira de idade ou de conservadorismo ortodoxo. Ele está tão, mas tão infiltrado no imaginário popular que nem questionamos mais a sua legitimidade. Ou, no caso, não questionávamos. Porque, a partir daí, decidi parar pra pensar: por que a liberdade da mulher que namora ou é casada diz mais respeito ao homem com que se relaciona do que a ela mesma?

Explico melhor: a pergunta costuma inferir um dos seguintes 3 pensamentos, geralmente excludentes entre si.

O primeiro é: “e seu namorado deixa? qual o problema dele? quer ser traído ou é trouxa?”

O segundo é: “e seu namorado deixa? Nossa, como ele é bonzinho!”

O terceiro já é um pouco diferente, mas também diz respeito a um homem: “e seu namorado deixa? bem que eu queria que o meu namorado fosse assim…” 

Uma pergunta, três pontos de vista, todos inseparáveis do homem, quando o assunto deveria girar em torno da mulher. Que, a essa altura da história da humanidade, deveria ser bem mais emocional e socialmente livre.

E decidi ir um pouco mais além: desde quando vêm as ideias por trás da “e seu namorado deixa?”

Pensando comigo mesma, lembrei de um dos livros sobre história da moda que li durante a pesquisa do meu TCC. (Se você quiser saber qual é e mais indicações de livros sobre moda muito bons, leia essa lista aqui.) E cheguei à conclusão de que a pergunta surge na ideia de que os comportamentos da mulher devem refletir os ideais ou a posição social do seu Homem. Assim, com letra maiúscula mesmo.

Só na história da moda francesa, por exemplo, encontro alguns típicos “e seu namorado deixa?” coletivos. Um deles era bem comum durante o período da Revolução Francesa. Quando a nobreza começou a dar sinais de falência e a burguesia ascendeu como classe econômica, o vestuário dos homens burgueses passou a se distanciar da moda usada pela classe mais alta, pela primeira vez.  Trabalhar deixou de ser uma atividade para os pobres e excluídos para ser rotineiro da mais nova classe hegemônica e, com isso, o fator conforto entrou na equação do vestuário como não pesava desde antes da Idade Média. Mas essa grande revolução não chegou à moda feminina. Ao menos, não à moda feminina das mulheres da nova classe alta. Porque, vejam só, as mulheres passaram a ser vitrines vivas da riqueza dos seus maridos ou de seus pais. Assim, enquanto os burgueses ricos andavam por aí em calças compridas e trajes simples, as mulheres continuavam presas às camadas de tecidos e frufrus, sem respirar embaixo de um espartilho.

Ou seja, embora a literalidade do pensamento tenha diminuído, ele vem de longuíssima data. Só dentro da história da moda, eu poderia encontrar mais outra dezena de exemplos disso. Mas vou deixar essa conversa sobre a moda e o machismo ao longo das décadas para um outro texto, cês gostariam de ler? 

Quanto à pergunta “E seu namorado deixa?”, sei de duas coisas. Uma é que eu vou continuar a ouvi-la por muito tempo ainda: e tudo bem, porque isso vai refletir a minha escolha de levar o meu relacionamento do jeito que eu acredito ser saudável. A outra é que, embora ouvir muito essa pergunta seja sinal de uma mentalidade coletiva distorcida, eu gostaria que cada vez mais mulheres a ouvissem também. Porque isso significaria que elas também estão vivendo modelos de relacionamento “diferentes” numa sociedade em que é meio assustador ter um relacionamento “normal”.

A minha missão como mulher é empoderar outras mulheres.  Ajudar o máximo possível de mulheres a se posicionar como seres independentes e aprender com elas, ao mesmo tempo. Juntas, não haverá homem no mundo capaz de nos podar. (Clique aqui para ler um texto bem didático sobre como superar um término de namoro mais rápido se você acha que está nessa situação e precisa reunir forças)

E é esse todo o sentido do post. Além de dizer a quem quiser ler que não, o meu namorado não “deixa” nada… Porque eu nem cheguei a pedir a permissão dele.

Gostou? Clique aqui para mais posts da categoria “Sentir” do Declara. 


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39 Comentários

  • Responder Winnie 13 de maio de 2016 at 3:53 PM

    Guria, seu texto diz tudo. Um namorado não se trata de uma “passagem de guarda”, não há o que pedir, apenas avisar: vou, fui. Adorei!

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  • Responder Isadora Mariano 13 de maio de 2016 at 4:34 PM

    Muito bom! Uma das pessoas que menos compreende isso é minha própria mãe, ela ainda detém valores antiquados e, sempre que vou sair sem meu namorado, ela fala umas barbaridades. Já recebi perguntas assim também de amigas jovens, que eu não esperava que reagissem dessa maneira, mas não levei para o lado ruim, acho que elas só estavam curiosas. Quem precisar entender seu relacionamento é apenas quem faz parte dele (isso leva a outro assunto importante e pouco discutido, a não-monogamia), então ninguém deveria fazer esse tipo de pergunta. Oras, óbvio que meu namorado “deixa”, senão nem meu namorado seria! Beijos, Clara, sua maravilhosa <3

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    • Responder Clara Fagundes 13 de maio de 2016 at 5:19 PM

      Ô Isa, é outra geração, né? Minha mãe é super maravilhosa e, ainda assim, vez ou outra lança umas sobre meu namoro que eu fico ??????? E, sim, muita gente fica surpresa de verdade, nem é maldade. Eu sempreee falei isso sobre todos os meus namorados: ele nem tinha o que deixar e, se achasse que sim, nem meu namorado seria. <3

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  • Responder Gi Fialho 13 de maio de 2016 at 5:47 PM

    Gosto da forma como foi abordado o assunto, tem muito machismo escondido que a gente nao precisa, nao deve aceitar.
    Vim morar em outro pais pra estudar moda, quando contei pra minha familia, muito antes do Parabéns vinha “MAS E SEU NAMORADO!” a minha resposta era “ta com saude quer falar com ele?” a pessoa ficava desconcertada sem entender e eu simplesmente ignorava. E muito infelicidade essas perguntas, serio.

    caosarrumado.com

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    • Responder Clara Fagundes 27 de maio de 2016 at 11:03 PM

      Nossa… Até imagino a sua cara depois de falar um plano tão lindo e as pessoas só pensarem nele. Tenha dó, né?

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  • Responder Beatriz Palma 13 de maio de 2016 at 8:50 PM

    Que texto maravilhoso, ameii!! Namoro a 3 anos e tenho um relacionamento assim também, faço o que eu quero na hora que eu quero, viajo sozinha e etc e a msm coisa ele. Realmente sempre ouço todas essas perguntas. Parabéns pela sua forma de pensar e texto =)

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  • Responder Clayci 14 de maio de 2016 at 7:00 PM

    Eu já passei muito por isso.
    Familiares, principalmente. Sou feliz porque meu namorado sempre me deu apoio e sabe respeitar minhas escolhas e decisões.

    Adorei o seu texto!
    Merece ser compartilhado.
    Beijos

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  • Responder Laura Nolasco 15 de maio de 2016 at 3:10 PM

    Clara, cê não cansa de ser maravilhosa não?
    Já ouvi muito essa pergunta também: namoro um cara que mora em outra cidade, só nos vemos no fim de semana… Durante a semana, saio com amigos, até ano passado estudava num curso no qual eu era uma das 3 mulheres numa sala de 30 pessoas, tenho MUITOS amigos homens. Pra mim e pro meu namorado, é SUPER normal, tipo mesmo… vira e mexe, ouço um “vou contar pro João” “O João sabe que você veio?” “Ele deixa?” Como se eu estivesse fazendo algo errado e como se precisasse da autorização dele pra algo, sabe? É bizarro.
    Espero realmente que cada vez mais mulheres quebrem esses padrões e expectativas de mulher submissa ao homem e que sejamos cada vez mais livres ❤
    Beijos!

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  • Responder VANESSA BRUNT 15 de maio de 2016 at 4:45 PM

    Cla, que delícia de postagem. Essa pergunta de base realmente incita em diversas temáticas adentradas no machismo e nos faz, inclusive, lembrar do tópico do “relacionamento abusivo”. Relacionamentos precisam sim ter limites, porque não há respeito sem limitações que AMBOS sigam. Ambos. Mas cada um sabe do acordo que tem com o outro e não é questão do “outro deixar”, mas de fazer o bem pelas próprias juras e pelo que condiz com a própria índole. Ninguém tem que “deixar” nada, temos mesmo é que cumprir as nossas promessas, dialogar, resolver em conjunto e ser o que acharmos melhor para nós, ser o que não fira a relação e nem os nossos outros objetivos. Adorei essa quantidade de conteúdo entorno que foi agregando. Tão enriquecedor! Seu TCC deve ter sido mesmo incrível.

    http://WWW.SEMQUASES.COM

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  • Responder kamii 17 de maio de 2016 at 2:46 PM

    Sei bem! Eu sou muito frustrada do tanto que a mulher ainda é limitada hoje em dia, você construiu um lindo relacionamento! Eu morro de medo de casa e ter filhos e ser “aprisionada” ao que se espera de uma mulher, por mais que eu fale eventualmente desses temas com o meu namorado parece que até acontecer eu não confio que vai ser bom sabe? hahaha
    Adoro seus textos Clarinha <3

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  • Responder Giovanna Barbieri 17 de maio de 2016 at 10:47 PM

    Clara, namoro à 5 anos e temos um relacionamento super tranquilo… Se ele quer ir à uma festa vai, se eu quero viajar eu vou! Falamos um monte de besteiras juntos…
    E realmente, as pessoas ficam surpresas! Pessoas falam que “quando crescerem” querem ter um relacionamento como o nosso! Eu acho engraçado, pois para mim é super normal!
    Beijos

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  • Responder Luana Toro 18 de maio de 2016 at 12:23 PM

    Lembrei de uma palestra na faculdade em que uma aluna perguntou: o que a gente precisa fazer para os homens nos deixarem ocupar cargos maiores? E a professora respondeu exatamente sua ultima frase: eles não tem que deixar nada, porque não precisamos de permissão. Esse discurso parece tão natural, mas é tão problemático!
    Por namorar uma mulher, eu não tenho tanto esse problema. Sem a figura masculina, as pessoas ficam meio perdidas rs Mas já escutei muito isso na família e com amigas. Não consigo entender como as pessoas acham saudáveis relacionamentos em que não podemos sair sozinhas ou seja lá o que for. E ja vi gente se orgulando disso sabe? É, realmente, uma porta para relacionamentos abusivos.
    Arrasou, as always. E adoraria um texto sobre moda e machismo! <3

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  • Responder Sarah Rayssa 18 de maio de 2016 at 3:16 PM

    Clara, que texto maravilhoso e empoderador! 🙂
    Eu já fiz ouvi várias vezes essas frases e muitas vezes me incomodava, pois sempre tive a mente aberta em questão de relacionamento e as outras pessoas não terem essa mesma visão, me deixava chateada…
    Desde do inicio do namoro tivemos liberdade, tanto eu, como o Juno, de sairmos com nossos amigos, viajarmos, enfim, sermos independentes. Já viajei por 1 mês pra São Paulo, Pernambuco sem o meu namorado. As pessoas sempre perguntavam sobre a opinião do Juno, se ele deixava, se ele não ficava chateado e etc. Agora casadinhos (5 meses <3) nada disso mudou. Eu já viajei sem ele, já fui em festinha sem ele, tudo normal, como deveria ser. E as perguntas sempre voltam, ele não fica brabo, com ciúmes e tudo mais, hahahahaha muito chato!! E sim, por favor, escreva sobre o machismo ao longo das décadas! 🙂
    PARABÉNS lindaaa, por outro texto maravilhoso *-*

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  • Responder Gaby 18 de maio de 2016 at 9:37 PM

    Olá Clara, tudo bem?
    Que texto fantástico! ♥ Felizmente nunca passei por esse tipo de problema, pois não tenho amigos aqui fora para me questionarem a respeito do meu relacionamento. Desde que comecei a namorar, meu namorado sempre foi muito tranquilo e, de verdade, nunca precisei pedir a autorização para fazer minhas coisas. Já fui a vários lugares só com a minha família (inclusive viagens) e ele sempre fica numa boa. O único hábito que temos em comum é avisar onde estamos, apenas para evitar preocupações.
    Nós estamos juntos há 3 anos encarando as situações da melhor forma. Somos pessoas do bem, liberais e sem frescura, rs. Espero que essa harmonia se mantenha quando tudo se tornar um pouco mais sério… Ou seja, noivado e posterior casamento.
    Beijos :*

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  • Responder Marcela Cataldi 18 de maio de 2016 at 10:18 PM

    SIM <3 Amei e é, exatamente, isso! Eu odeio namoro (ou qualquer outro tipo de relacionamento) em que vc fica dependente de algo…

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  • Responder Izabella 18 de maio de 2016 at 11:36 PM

    Sei exatamente como é isso. Também moro sozinha há dois anos e namoro há 1 ano, eu saio com as amigas todas super livres, leves e soltas e essa pergunta paira no ar me fazendo rir de algo que é pra ser piada: um relacionamento amoroso não é um jogo de quem manda mais no outro ou permite mais coisas ao outro, é viver junto sabendo ficar separados nos momentos certos, seja pra diversão, trabalho, família, tudo tem seu tempo e casais que respeitam um o espaço do outro vão longe. O machismo é muito enraizado em nossas vidas e reflete muito em nossos relacionamentos, mas tudo deve ser revisto e analisado para que como você disse não continuemos a viver como se vivêssemos no século passado.

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  • Responder Carol Rocha 20 de maio de 2016 at 9:01 AM

    Oi Clara! Como eu queria ter lido esse texto quando estava no meu relacionamento anterior! Eu vivi um relacionamento super abusivo emocionalmente e me sentia aprisionada, literalmente “podada” por ele e pelas pessoas que sempre me faziam essas perguntas. Hoje vivo um relacionamento completamente diferente, pois aprendi a me impor e quem tem que decidir sobre as minhas atitudes sou eu mesma e um namorado não tem que deixar nada, pois não tem esse direito. Parabéns pelo texto, beijos!

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  • Responder Thaís 20 de maio de 2016 at 3:55 PM

    Oi, Clara!

    Primeiro eu preciso te falar que compartilhei seu texto no meu Facebook e foi maior sucesso. Umas quinze mulheres curtiram. E isso me deixou feliz, sabe? Demonstra que elas tem a mesma opinião. Mostrei em especial para uma colega. Ela trabalha em dois empregos, faz pós graduação, inglês e namora. Enfim, uma rotina super agitada. E o namorado dela acaba viajando bastante pela empresa onde ele trabalha. E as pessoas ao nosso redor não entendem, sabe? ”Mas seu namorado deixa você trabalhar tanto? E seu namorado deixa você ir no show/balada sem ele?” É o que ela mais ouve. Eu fico feliz por eles terem um relacionamento sadio em relação a isso, mas triste pela mentalidade de algumas pessoas ao redor.
    Gostei da sua reflexão e eu prezo muito pela liberdade dentro do relacionamento. Afinal, não é uma prisão, certo? É uma parceria. Ninguém assina um contrato em que tem que viver colado e não pode mais sair sozinho. Isso, ao meu ver, não é relacionamento. É abusivo.
    Enfim, amo a categoria sentir do teu blog. <3

    Beijos!
    http://www.janeladesorrisos.com

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    • Responder Clara Fagundes 30 de maio de 2016 at 10:33 AM

      Sim, é muito bom saber que cada vez mais mulheres concordam com esse tipo de relacionamento “diferente” (mas que deveria ser normal).
      Que bom que cê gosta dessa categoria, Tha <3 Prometo escrever mais pra ela!

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  • Responder Felipe Tam 10 de junho de 2016 at 12:45 AM

    Só um adendo. Faltou um quarto ponto de vista que a autora talvez nunca tenha vivenciado. É o “seu namorado deixa? então é pq ele não liga pra você e só quer te comer, deve te chifrar o tempo todo”.

    Digo isso pq passei por algo assim em maior ou menor grau com várias mulheres com quem me relacionei. A distorção coletiva do que deveria ser um relacionamento as vezes faz com que a mulher seja muito mais machista que o homem é considere “errado” o parceiro não tentar ser dono.

    Fora isso, texto ótimo, não retiro a linha, só adiciono as minhas se puder.

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    • Responder Clara Fagundes 13 de junho de 2016 at 2:01 PM

      Nossa, Felipe. É verdade. Acho que eu sou tão arisca que ninguém nunca deixou transparecer esse ponto de vista, com medo de levar uma rasteira, mas com certeza já pensaram. Inclusive, já vi em comentários de posts (mas comentário de internet é sempre uma versão piorada de tudo no mundo, né). Concordo total com você e, com certeza, existe mesmo esse ponto de vista, só que ele é maldoso por definição, né? Vem do mesmo lugar e tem motivos semelhantes, só que acho difícil não ver maldade nele.

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    • Responder Clara Fagundes 13 de junho de 2016 at 2:04 PM

      Aliás, que curioso, lembrei aqui que um ex-namorado meu brigava comigo por não demonstrar ciúmes dele. Com certeza, ele pensava isso, só que de um jeito meio inverso: “não tem ciúme, é porque não se importa com o que eu faço”. Faz super sentido!

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  • Responder DEIXA DE BANCA 17 de junho de 2016 at 7:40 PM

    Mano, por favor, escreve esse texto sobre história da moda e machismo! Tô ansiosa demais pra ler <3

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  • Responder #12meses12coisas - 12 blogs que sigo - Janela de SorrisosJanela de Sorrisos 30 de junho de 2016 at 3:49 AM

    […] categoria sentir, com ótimos textos sobre motivação, relacionamentos e amizade. Post preferido: ”E seu namorado deixa?” 7. I’m Citadin: Blog da Natiele. Lá você encontra posts diversos sobre música, livros, […]

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  • Responder #12meses12coisas - 12 blogs que sigo - Janela de Sorrisos 1 de julho de 2016 at 4:36 PM

    […] categoria sentir, com ótimos textos sobre motivação, relacionamentos e amizade. Post preferido: ”E seu namorado deixa?” 7. I’m Citadin: Blog da Natiele. Lá você encontra posts diversos sobre música, livros, […]

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  • Responder 5 filmes para ver no cinema em julho de 2016 - Blog Declara 15 de julho de 2016 at 2:40 AM

    […] até agora. É um filme divertido pras crianças e perfeito pros adultos. Subtextos como misoginia, empoderamento feminino, racismo, homofobia, preconceito, burocracia, manipulação das massas, corrupção são tratados […]

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  • Responder Simone Pinheiro 28 de julho de 2016 at 11:33 PM

    Adorei seu texto e concordo com tudo que você falou, passo exatamente pela mesma coisa, e gostaria de acrescentar uma observação que eu fiz: Ao invés de se libertar dessa ideia, eu vejo que cada vez mais as mulheres estão refletindo esse comportamento nos namorados, então já vejo “e sua namorada deixa?” também. Isso me deixa triste porque ao invés de mudar o pensamento pro lado onde todos são livres, está mudando pro lado onde nenhum dos dois é. Sempre fui da ideia de que mesmo quando se está em um relacionamento, continuamos sendo pessoas diferentes, vontades diferentes e até amigos diferentes. Essa coisa de andar sempre junto se torna um martírio no momento que tu não gosta das pessoas com quem teu namorado anda. Além disso, também já fui induzida a “controlar” meu namorado, de me perguntarem onde ele estava, eu falar que não sabia, não tinha falado com ele depois que tinha saído da faculdade e ter um “O QUE?” como resposta. “mas tu não sabe com quem ele anda?”, isso me aconteceu mais de uma vez e sempre achei muito tóxico, minhas próprias amigas me induziam a desconfiar do meu namorado e perseguir ele, era todo um drama (da parte delas) pra depois ele mandar uma mensagem “to na casa do *nome de um colega*, estamos pensando em sair mais tarde, quer ir com a gente?”.
    E fugindo um pouco do assunto, mas ainda falando na mentalidade fechada, eu tinha um relacionamento aberto. E quando falei para uma colega, a resposta dela foi “ai, eu não gostaria que fizessem isso comigo”, “mas fazer isso o que?”, “me trair”, “mas não é traição”, “é sim”. E com isso percebi que as “regras” de namoros são tão inflexíveis que mesmo que tu diga que pode ficar com outras pessoas à vontade, ainda vai ser traição, só porque sim.
    Acabou sendo um textão, mas era isso. Rumo aos relacionamentos saudáveis 😀

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  • Responder Camila Pifano 14 de agosto de 2016 at 11:22 PM

    Oi, clara! Que texto maravilhoso e surpreendente a ligação com a moda!

    Esses comentários fazem parte da realidade muitas mulheres, para não dizer todas. Namoro há quatro anos e sofro com isso dentro de casa mesmo. Inúmeras vezes que vou sair sozinho escuto: “Por que você não chama seu namorado?” e “Ele é muito bonzinho mesmo”. Me questiono: será que eles também precisam responder essas perguntas?

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  • Responder Giovanna 4 de setembro de 2016 at 9:27 PM

    Curti bastante, só não curti tanto o “USPiana” na descrição do blog ! :/

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    • Responder Clara Fagundes 5 de setembro de 2016 at 11:06 PM

      Por quê? Eu sou! <3 E foi por isso que vim parar em São Paulo. Não é uma descrição do blog, é uma descrição minha. A do blog você acha clicando no link! <3

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  • Responder Nina 8 de setembro de 2016 at 8:28 PM

    Eu geralmente não levo a mal quem me faz essas perguntas, mas quando sei que é pq a pessoa ta me julgando já respondo um “deixa sim, quando meu pai me vendeu pro meu namorado, ele decidiu me alforriar, e ta lá escrito que eu posso sair sem ele. Mas sempre que alguém me pergunta eu mostro a carta, cê quer ver?!”

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  • Responder Bárbara Fróis Borges 12 de setembro de 2016 at 10:50 AM

    Amei o texto Clara <3 e realmente ainda existe essa de seu namorado deixa, estou solteira a três anos, e fico observando o namoro dos meus amigos (que diga-se de passagem estão todos, sem exceção comprometidos), por ser a única solteira eu vejo cada absurdo que fico pasma. Tem amigos que não tem a liberdade de mexer sozinho no telefone porque a namorada da sempre em cima, tem amigos que não deixam a namorada sair sozinha, mas estão sempre sozinhos no bar, enquanto as namoradas estão dando chilique porque ele saiu. A maioria dos relacionamentos hoje não são saudáveis, todos acham que tem que ter autorização para fazer o que quer. O meu último relacionamento foi dessa forma, eu era atleta a mãe dele morava em SP e ele ia sozinho visitar a mãe, e eu vinha pra MG sozinha visitar meus pais, as vezes os horários não batiam, e a gente tem que entender que cada um tem sua individualidade, que tínhamos uma vida antes do relacionamento.
    Muito bom mesmo esse texto! Beijos

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  • Responder Luana Braz 6 de outubro de 2016 at 7:21 PM

    AMEI o texto e amei seu blog! <3 Já ouvi muuuuito essas perguntinhas ai, inclusive uma das que mais ouço é: "nossa, mas seu namorado deixa você cortar o cabelo curto?". Como se outra pessoa além de mim, a dona do cabelo, tivesse que decidir o que eu faço ou não. Assim como você disse no post, as pessoas que fazem esse tipo de pergunta nem a fazem por mal, é porque é enraizado mesmo. Infelizmente ainda tem muitas pessoas por ai com a visão do século passado de que em um namoro a pessoa se torna sua dona e vice-versa. Mas, acredito que com o tempo e com bastante conversa essas coisas vão diluindo. Sou formada em moda e AMEI o link que você fez com a revolução francesa, onde a mulher era retratada como simples adorno, sem vontade e liberdade nula. Quanto mais bem vestida a mulher era, mais seu marido ganhava status. Louco isso né? Ainda bem que as coisas mudaram, mas, ainda tem muita coisa que precisa mudar também!

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  • Responder 5 blogs incríveis que abordam o feminismo - Lizpector 8 de novembro de 2016 at 2:31 PM

    […] Não deixe de ler: “E o seu namoraodo deixa?”, a revolução francesa e relacionamentos normais […]

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  • Responder O primeiro ano do Blog Declara - Sorteios, números, metas e muito amor! 8 de outubro de 2017 at 8:21 AM

    […]  “E seu namorado deixa?”, a Revolução Francesa e relacionamentos normais.  (É o 5º post mais lido e compartilhado do Declara!) […]

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