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Dez filmes que mereciam ser famosos

10 filmes que mereciam ser famosos

Na imagem, um dos filmes que mereciam ser famosos: Moonrise Kingdom.

Hoje em dia, é completamente impossível conseguir acompanhar todos os filmes que são lançados. Novos curtas e longas saem a cada minuto, muitos deles jóias raras que não vão ter sua chance de brilhar por serem enterrados em uma montanha de outros lançamentos simultâneos, e apenas uma pessoa maluca conseguiria resgatar todos eles dessa obscuridade.

Mas, raios, isso não significa que eu não posso tentar! Então, fazendo a minha parte (ainda que uma parte pequena), aqui está uma lista de filmes que eu acho que merecem mais atenção do que receberam.

1. A Trilogia do Cornetto – Edgar Wright

E eu imediatamente trapaceei e coloquei três filmes como um só na lista. Mas eles merecem. Edgar Wright, o mesmo diretor de Scott Pilgrim, se juntou com os comediantes britânicos Nick Frost e Simon Pegg, e juntos criaram três comédias com histórias independentes, mas com piadas recorrentes, e chamaram de Trilogia do Cornetto, por cada um possuir uma cena em que um personagem come um Cornetto. Sim, sério. É meio que uma piada referencial para a trilogia das cores de Krzysztof Kieślowsk, tanto que em cada filme, a cor do Cornetto referencia o tema do filme: vermelho em Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead), um filme de zumbis, azul em Chumbo Grosso (Hot Fuzz), um filme de policiais, e verde em Heróis de Ressaca (The World’s End), um filme sobre uma invasão alienígena.

Piadas bizarras à parte, saibam que Edgar Wright é um dos únicos diretores da atualidade que sabe usar o poder do cinema para fazer comédia visual, tornando a parte cinematográfica realmente vital para a experiência, em vez de apenas a gravação de uma rotina stand-up.

 

2. Confissões de Uma Mente Perigosa – George Clooney

George Clooney já fez muitos projetos independentes que receberam pouca atenção do público, mas eu acho que esse é o que mais merece ser citado. Baseado na vida do apresentador de TV americano Chuck Barris, “Confissões de Uma Mente Perigosa” é um thriller de espião instigante, um mocumentário bizarro, e ao mesmo tempo um questionamento da sanidade de seu protagonista: seriam todas as suas aventuras verdades, ou apenas frutos de sua própria imaginação?

Possui estilo e a direção precisa característica da maioria dos filmes de George Clooney, e você totalmente devia ver.

 

3. Lunar – Duncan Jones

Um homem trabalha sozinho em uma estação de mineração na Lua. Sua única companhia é um computador. A dias do término de seu período de trabalho e de sua chance para voltar para sua casa na Terra, algo dá errado na estação… e eu provavelmente devia parar por aqui. Lunar (Moon) é uma obra-prima de conceitos simples explorados até o seu completo potencial e executados com elegância, e merece um lugar entre os gigantes da ficção científica. Se Confissões de Uma Mente Perigosa não te fez considerar Sam Rockwell como merecedor de um lugar entre os melhores atores dessa geração, Lunar com certeza vai fazer esse trabalho.

4. Enterrado Vivo – Rodrigo Cortés

Eu admito que sou um pouco viciado em conceitos básicos envolvendo um elenco pequeno que é explorado ao seu máximo potencial. Em Enterrado Vivo (Buried), só existe um ator que aparece na tela (Ryan Reynolds) e um cenário de menos de três metros cúbicos. Nele, Paul Conroy acorda após ter sido sequestrado, e possui apenas um celular como forma de comunicação com o mundo externo antes que o seu oxigênio acabe. Ele conseguirá resgate? Eu não vou contar, você vai ter que descobrir por conta própria. Para todos que duvidam da capacidade de atuação de Ryan Reynols, este filme é a prova concreta de que ela existe.

 

5. Os Homens que Encaravam Cabras – Grant Heslov

Inspirado no livro de Jon Ronson do mesmo nome, que fala sobre as tentativas do exército americano de incorporar conceitos de New Age como uma possível forma de criar soldados paranormais (não me pergunte, foi o governo americano que teve essa ideia), Os Homens que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats) é ao mesmo tempo uma comédia nonsense e uma exploração da ideologia hippie e da mentalidade militar, e o que ocorre quando ambas entram em conflito.

 

6. Herói – Zhang Yimou

Eu amo filmes de samurai. Amo, amo, amo. O estilo visual, a capacidade de se contar uma história simples e fazê-la parecer a coisa mais incrível que você já ouviu, as lutas que mais parecem uma dança feita de ordem no meio do caos, coisas que você simplesmente não encontra com facilidade em outros lugares. Herói (Ying Xiong) conta a história de um guerreiro que vai até o imperador pedir sua recompensa por ter derrotado as três pessoas mais poderosas da terra. É uma história contada repetidamente de várias formas, com a verdade lentamente se revelando, algo que pode remeter a clássicos do cinema oriental como Rashomon. É um espetáculo sensorial com uma história intrigante em volta, a combinação perfeita.

 

7. A Viagem – Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski

Esse tem uma história trágica e cheia de altos e baixos. Para os que não se lembram, A Viagem foi um filme dos irmão Wachowski (criadores da trilogia Matrix e das adaptações para cinema de V de Vingança e Speed Racer) e de Tom Tykwer (Corra Lola Corra, Perfume: A História de um Assassino), que contava seis histórias passadas em épocas diferentes, todas ligadas apenas tematicamente ou por leves referências umas às outras. É uma reexploração de uma das ideias narrativas de um dos filmes de grande escala mais antigos que existem, Intolerância de D. W. Griffith, e até mesmo uma semelhança de tema pode ser vista. É um milagre da edição, que consegue ligar todas essas histórias de formas que o livro no qual é baseado nunca tinha sequer imaginado…

E o mundo pareceu determinado em ignorar esse filme.

Muito disso pareceu ser focado ao redor de um suposto racismo do filme. Um dos recursos para fazer as referências entre as histórias é o de os mesmos atores serem usados em cada uma delas, interpretando personagens diferentes, cobertos por grossas camadas de maquiagem. Uma dessas histórias se passa em Neo-Seoul, e envolve todos os atores usarem maquiagem que os torne orientais. E supostamente, a crítica aqui é de que isso estava tirando a chance de atores orientais de verdade conseguirem trabalho no filme.

Mas por outro lado, essa mudança de raça e sexo é recorrente em todas as maquiagens do filme, como uma forma de refletir a mentalidade de que toda essa divisão social é completamente arbitrária. Em uma história, Halle Berry é branca. Em outra, Hugo Weaving é uma velhinha. E por aí vai. Além disso, a protagonista da história passada em Neo-Seoul, Sonmi-451, é interpretada por Bae Donna, que realmente é coreana, então isso não deveria realmente ser um problema.

Ou pelo menos era assim que eu pensava, até descobrir que originalmente esse papel ia ser interpretado por Natalie Portman.

Seja como for, eu vou deixar para vocês decidirem o quanto esse plano de fundo sociológico afeta sua decisão de assistir ao filme. Saibam apenas que não existe nada parecido com ele que tenha sido lançado ultimamente.

 

8. Quero ser John Malkovich – Spike Jonze

Um dos filmes mais “únicos” que eu lembro de ter visto, Quero ser John Malkovich (Being John Malkovich) conta a história de um titereiro que um dia encontra um portal para dentro da cabeça de, sim você adivinhou certo, John Malkovich. O roteiro é de Charlie Kaufman, e isso fica bem evidente, porque é uma daquelas histórias que simplesmente ama ser metalinguística. Em certos momentos, este filme é Inception antes de Inception ter existido. É bizarro, é engraçado, é imprevisível, e é simplesmente muito divertido de se assistir.

 

9. Drive – Nicolas Winding Refn

Sobre esse filme foi até razoavelmente falado a respeito quando saiu alguns anos atrás, mas desde então tem começado a cair no esquecimento, e eu não sei exatamente o porquê. Drive é um thriller sobre um motorista de fugas em assaltos, que um dia fica apegado à sua vizinha, e se mete em reviravoltas com a máfia local. Não se deixe enganar pelo trailer, este não é um filme de ação. É muito mais pessoal e introspectivo, fazendo você acompanhar este sociopata que está lutando contra tudo e todos e contra si mesmo em uma tentativa frenética de fazer a coisa certa e de tentar ser uma pessoa bem ajustada pelo menos uma vez na vida. E aí dá tudo errado.

 

10. Praticamente toda a filmografia de Wes Anderson

Parece apenas justo que o último filme da lista seja a minha maior trapaça de todas. Os filmes de Wes conseguem apresentar temas complexos com um olhar inocente e ao mesmo tempo carregado de peso, de uma forma que vários outros diretores tentaram replicar, sem sucesso. Ele possui todo um estilo cinematográfico que já é intimamente ligado à própria persona de suas histórias, uma estética artesanal que contrasta fortemente com seus personagens, que tendem a ser pessoas completamente quebradas, andando pelo mundo tentando encontrar um sentido para suas vidas.

Seja a tentativa fracassada de jornada espiritual de Viagem a Darjeeling, a exploração do fim da infância de Moonrise Kingdom, as tramas aventurescas de O Grande Hotel Budapeste, ou qualquer outro tom que permeia qualquer um de seus outros filmes, sempre existe algo de diferente e inovador. Definitivamente dê uma olhada nos trabalhos dele se você nunca ouviu falar de nenhum, existe todo um mundo de emoções pouco abordadas no cinema hollywoodiano que estão simplesmente esperando lá por você.

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4 Comentários

  • Responder Higor Cabette 17 de setembro de 2014 at 3:09 PM

    Curti as analises, boa seleção de filmes.

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  • Responder Clara Fagundes 24 de setembro de 2014 at 12:45 PM

    Eu amo esse post, eu amo o roubo favorável a Wes!

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  • Responder Simone Pinheiro 30 de agosto de 2016 at 8:46 PM

    Cloud Atlas é um filme maravilhoso <3 A Trilogia Cornetto acho ótima para aqueles dias que se está com preguiça de pensar e quer ver algo divertidinho (adoro ficar identificando os atores que aparecem em todos hahah). Quero ser John Malkovich é outro que acho ótimo e demorei um pouco pra ver depois que me indicaram porque achei que fosse ser estranho demais hahah Adorei a listinha, anotei alguns dos que não conhecia que me chamaram a atenção 🙂

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  • Responder Lira Vargas 6 de novembro de 2016 at 12:25 PM

    Você tem razão, a industria cinematográfica não permite tempo para um filme fazer história. Há 20 anos passado ainda se podia selecionar, mas agora…nossa. Acho que as distribuidoras são as responsáveis por essa correria. As salas de cinema nos shopping também. Acho que haveria uma mudança nessa velocidade, se as Secretarias de cultura começassem a dar oportunidade a empresário de cinema a abrir sala nos bairros. Isso não é utopia, algumas prefeituras estão percebendo que cabide de emprego é crime, e pastas de secretárias são pilares para o desenvolvimento de uma cidade. Ah! as cinemarc da vida iriam pular nas tamancas.

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