Explorar, Inspirar

Como planejar um mochilão #2

Como planejar um mochilão, parte II

Pois bem, você já tem passagens e onde dormir. Agora tá na hora de fazer as malas e botar só coisas realmente importantes lá dentro. Não vou dizer que você não precisa do armário inteiro, estamos trabalhando com a premissa de que esse nível já foi superado. Então vambora, partiu mochilão.

Fotos: minhas de novo.

Au loin la terre diminuant, se change en mer doucement…

4. La comunicazione

Você pode não saber falar nem português direito. Você pode, mas você não precisa. Temos hoje em dia, graças à tecnologia, instrumentos que nos possibilitam aprender as línguas mais variadas, ou ao menos algumas saudações. Porque é muito fofinho quando algum estrangeiro tenta falar a nossa língua. Demonstra, ao menos, que ele saiu de casa pra sair de casa, e não pra ter ficado em casa; em outras palavras, mostrar um pouco de esforço pode fazer toda a diferença no jeito com que as pessoas olham pra você e também no jeito com que você olha outras realidades. Saber dizer obrigado/ thank you/ grazie/ muchas gracias/ dank u/ merci, para mim, é regra. Gentilezas à parte, saber falar inglês já vai fazer com que o perrengue diminua drasticamente. Mas quem escolhe é você.

5. Documentos

Pra ir pro Rio, um RG é suficiente, mas nem sempre é simples assim. Cuidado com as megapromoções, porque algumas oferecem passagens cujo trajeto exige vistos de trânsito, vacinas ou coisas do tipo. Ir para os EUA pelo Canadá, por exemplo, exige um visto de trânsito e ir para a Itália pela Etiópia exige vacinas em algumas circunstâncias (não julgue, às vezes é uma boa opção). Não deixe isso passar, confira 274683475 vezes.

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Πάμε!

6. M A P A S

Tá bom, agora você tem que saber como chegar nos lugares onde vai ficar e geralmente os aeroportos são afastados dos centros. Você pode deixar para pensar nisso na hora. Você pode, mas você não precisa. Ah, e o celular adora dar uma pane que ele nunca deu antes quando se está no saguão do aeroporto ou dentro do metrô. Vamos então fazer o seguinte: ter informações importantes guardadas em vários lugares (o perrengue corre grandes riscos de queda se você seguir essa filosofia).
Eu sempre levo comigo um bloquinho, que fica na mochila, e o celular, que está sempre no modo avião porque me recuso a pagar um milhão de reais para ter 3G. O que eu levo neles: nome exato do aeroporto, endereço de onde estarei hospedado e indicações de como ir de um para o outro. Na hora em que você precisar dessas informações, é bom que você já saiba mais ou menos o que fazer. “NOSSA MAS QUE EXAGERO AFF Ñ VOU LEVAR ISSO Ñ”, azar o teu. Vou dar um exemplo: eu tinha que ir para o aeroporto de Bruxelas e eu estava naturalmente atrasado. MAS EU TINHA UMA NOVIDADE: Bruxelas é servida por 2 aeroportos. Qual era o meu? O 3G, adivinhem: não fungava. Fui salvo pela sorte e por ela unicamente. Depois disso, eu sempre levei o endereço do aeroporto comigo junto com as indicações que o Google Maps dá para chegar ao meu destino. Tudo anotado. Cada mudança de linha de metrô, ônibus ou nave espacial. Tem vezes que até imprimo um mapinha, até mesmo pra mostrar na imigração onde eu vou ficar. Tudo está detalhado para que eu não surte e para que eu tenha um trajeto embalado somente pelas músicas que vão estar tocando no fone de ouvido.

7. Vamos usar a rede mundial de computadores?

Você pode chegar no seu destino zerado e começar a explorar na hora. Você pode, mas você não precisa. E eu indico fortemente uma pesquisinha antes, afinal é melhor ir ver o que você realmente curte do que ficar tirando foto de lugar turístico e enfrentando fila. Vamos pegar um exemplo aleatório: EU. Eu busco sempre: brechós, restaurantes étnicos, baladas de música eletrônica, museus e galerias de arte contemporânea, comida barata e free walking tour. Coleto todas as informações e vou botando em um MyMaps, que é um mapa editável online (vejam um que eu fiz de NYC). Aí basta você deixar um ícone dele no celular e abrir quando precisar. Mais uma coisa: o GoogleMaps Mobile permite que você baixe mapas offline, faça isso antes de viajar. É sério, é muito importante e útil. Tem outros apps, mas nunca testei. Quanto aos museus, eles geralmente têm um dia de graça. Eu anoto no mapa e também no calendário que eu faço no meu bloquinho, aí eu sei o que tem pra fazer em cada dia e não perco a chance de ver coisas legais pagando Zero Dilmas.

como planejar um mochilão

Não leve sapatos desconfortáveis.

8. Meça suas milha, parça.

Você pode viajar sem um programa de milhas. Você pode, mas você não precisa e isso pode ser muito vantajoso na hora de planejar a próxima viagem (você vai querer uma próxima viagem antes de terminar a anterior). Então vamos lá: existem programas de milhas nacionais e internacionais. Não tem muito mistério nos nacionais e você pode ter um cadastro em todos, mas nos internacionais tem uma questão que já me atrapalhou: como existem algumas alianças globais de companhias aéreas, tem o programa integrado da aliança e o programa de cada companhia separadamente. Vamos a um exemplo: viajei de Air Canada e fiz o programa de milhas Avianca, o Avianca Amigo, achando que tudo estava conectado, já que ambas fazem parte da Star Alliance. Porém esse programa não era conectado à rede Star Alliance, era um sistema que só funcionava entre os voos da Avianca. O mesmo com o programa Aeroplan, que é o da Air Canada. Isso significa que eu só poderia trocar meus pontos por passagens (ou produtos) de uma companhia específica. No saguão do aeroporto e pelo celular, eu tive que criar um cadastro no LifeMiles, programa de milhas que opera com todas as companhias da Star Alliance (YEAH). Com o LifeMiles eu posso pegar esses pontos e viajar em qualquer outra companhia da aliança, como Lufthansa, TAM, Avianca, TAP, United Airlines, Air Canada e outras. Em março desse ano, um mês depois da minha viagem, o Avianca Amigo foi integrado no LifeMiles; de qualquer maneira, pesquise isso antes pra não ter que ficar se estressando lá no embarque. Vale a pena ter aquelas milhas ali guardadas. Leia mais sobre programas internacionais de milhas aqui. Aí pega o seu número de cadastro e anota na agenda do celular como um contato (vou confessar que eu também deixo anotado no meu bloquinho porque NÉ). Cada vez que eu viajo, na hora do check-in eu peço que incluam aquelas milhas no meu programa e BANG: ready to flight. Se você esquecer na hora (tão eu), você geralmente tem um ou dois dias para solicitar a inclusão das milhas pela internet.

Vemos que ao fim dessa jornada, o perrengue tende ao zero absoluto. Não esqueça o cotonete e repense se o cortador de unhas vai realmente ser necessário. Ele costuma ser pesado.

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vacanze romane

*por sua atenção, obrigada*

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2 Comentários

  • Responder Magali Viajante 27 de agosto de 2015 at 5:44 PM

    Pedro (e Clara),

    Adorei o post. Dicas realmente muito úteis, mas que todo mundo prefere ignorar (e a gente fica com aquele “Eu te falei” na ponta da língua quando a pessoa volta e conta a história.
    Eu também fiz um post lá no blog sobre mochilão, mas no meu caso, foram dicas específicas de Paris, Londres e Amsterdã.

    Esse seu post me deixou com uma vontade de viajar de mochila de novo…

    Bjs

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  • Responder Como planejar um mochilão #1 - Blog DeClara 14 de outubro de 2015 at 11:27 PM

    […] A parte 2 dessa série já saiu, clique aqui para conferir! […]

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