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Carol Siqueira

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Sobre intercâmbio, sobre viajar

Sobre intercâmbio, sobre viajar

Quando decidi que iria tentar um intercâmbio, pouco mais de um ano atrás, não sabia bem o que esperar. Muito se diz sobre todas as coisas que se vive em uma viagem, mas até então eu sempre havia me deixado dominar pelo medo do desconhecido: medo de viajar de avião pela primeira vez, de morar sozinha, de aterrissar em um lugar novo, de não ter pessoas queridas imediatamente à minha volta. Viajar era apenas mais uma das questões pessoais que eu postergava pelo simples fato de não poder controlar, predizer, projetar. Mais um dos sonhos que eu reservava a minha imaginação. Até o ano passado, quando consegui uma bolsa para estudar audiovisual por cinco meses em Madrid.

Descobri que viajar é muito mais do que conhecer lugares novos. Viajar é estar 100% sensível a tudo e a todos ao seu redor. É como um grande parêntesis na correria do dia-a-dia, é deixar de se preocupar com a finalidade, com a hora, e curtir o percurso, olhando pela janelinha. A grande questão é que quando se tem um número determinado, curto e finito de dias para se viver e conhecer uma cidade, não há tempo a perder. Cada esquina é única, cada metrô é de um jeito, e só Deus sabe quando você terá a oportunidade de encontrar telhas de uma catedral daquela cor e naquela posição, então vale olhar com atenção. Viajar é como aquele último respiro antes de um mergulho: você quer captar todo o ar que conseguir, pois não sabe ao certo quanto tempo levará para poder voltar a superfície.

Viajar também me ajudou a julgar os pontos fortes e fracos da minha São Paulo; usei e abusei do transporte público e da segurança européia para ir e vir de todos os cantos, mas senti falta do calor, da simpatia, dos abraços e dos sorrisos de estranhos. Por isso mesmo aprendi a valorizar o carinho dos meus amigos daqui, assim como os pequenos avanços conquistados dia-a-dia na Universidade lá; os espanhóis são fechados e têm gênio forte, mas sabem ser gentis e amáveis se você lhes der tempo. Gosto de pensar também que os ensinei a abraçar mais; não há nada melhor para mim do que abraços sinceros, não importa de onde venham os braços. Clique para ler mais